segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Roteiro de 4 dias no Uruguai

Dia 1: Montevidéu

Era mais uma viagem de trabalho do meu marido.
Uma reunião numa quinta-feira, véspera de feriado.
Por acaso, um dia depois do meu aniversário.
Era a oportunidade perfeita para eu pegar uma carona e visitar este lugar que eu amava mesmo antes de conhecer.
Chegamos ao aeroporto por volta do meio dia, pegamos o carro no aeroporto e nos dirigimos rapidamente para o hotel, onde meu marido me deixou e foi para sua reunião de trabalho.
O NH Hotel, fica num lugar ótimo, de frente para o Rio Del Plata( ou Mar Del Plata) e perto do centro. Oferece um café da manhã muito bom e sem falar que o quarto é maravilhoso.
 
 
Não era inverno, estávamos em abril, mas levei uma bela frente fria na bagagem! Uma garoa forte e persistente acompanhada de um vento surreal deixou o céu cinza e as águas do rio com uma cor bem sem graça. Para minha infinita tristeza, na hora de fazer a mala, nem pensei na possibilidade de uma mudança brusca de temperatura. Quando abri minha mala não sabia se ria ou chorava... vestidinhos lindinhos preenchiam o lugar de onde "deveria" ter um casaco bem quentinho. Ainda bem que lembrei pelo menos de por uma malha na mala, foi ela quem me salvou!
Eu estava animada demais para ficar me lastimando pelo mal tempo, me agasalhei com aquilo que tinha na mala e saí para explorar as redondezas do hotel.
Quando saí, percebi que realmente o tempo não estava querendo colaborar, a garoa fina, se tornou quase uma chuva, mas continuei andando e procurando um lugar onde eu pudesse comprar um guarda chuva.
Depois de caminhar muito e estar toda molhada, tive meu primeiro contato com o peso uruguaio. No começo é meio complicado saber o valor real das coisas, mas depois você acaba se acostumando.
Entrei em algumas lojas e vi os preços de alguns casacos, mas eu estava com sérios problemas para converter os valores e achava tudo muito caro! Eu não compraria um casaco para passar apenas quatro dias e depois deixa-lo mofando em meu guarda roupas junto com os outros que eu usava de vez em nunca! Sim...confesso que sou pão dura!
A caminhada pela cidade me aqueceu, andei a tarde toda, sem rumo e morrendo de medo de não achar nunca mais o hotel e virar uma andarilha sem teto nas ruas de Montevideo. Eu estava sem sinal de Internet e telefone, assustador para uma pessoa que adora estar conectada.
Parei no Burger King para comer, não quis arriscar escolher um lugar diferente, eu estava sozinha e um lanchinho seria suficiente.
Montevideo é uma cidade encantadora! As construções antigas ao lado das modernas, os cachorros enormes circulando pela cidade, praças e jardim bem cuidados. Os uruguaios também me trataram muito bem, fui compreendida mesmo sem falar uma palavra em espanhol.
 







 
A chuva deu uma trégua e eu avancei a caminhada para a área portuária, e como porto é sempre porto, mudei minha rota rapidinho.
Prestes a ter uma hipotermia, apertei o passo e segui na direção do hotel. A chuva tinha parado (quase não usei o guarda-chuva) mas vento parecia cortar meu rosto e naquele momento eu só queria duas coisas: não me perder e um banho bem quente.
Cheguei ao hotel e não sentia meus dedos dos pés, nem a ponta do nariz, mas meu coração queimava de alegria em pensar que finalmente eu estava no lugar onde sempre dizia que gostaria de morar.
Foi o tempo certinho de tomar meu banho e meu marido chegar do trabalho, e para minha alegria, ele estava disposto a dar uma volta no centro da cidade.
Lá fui eu outra vez...
 
Sem chuva, tivemos até direito a ver um tímido por do sol






 
Andamos pelos mesmos lugares que eu tinha andado a tarde, mas como já estava anoitecendo, tudo ficou com uma cara nova.
O jantar?
Bem, o jantar foi meio que uma refeição de trabalhador braçal... não quis pedir a milanesa que meu marido sempre pede e confesso: me dei mal.
Uma coisa você precisa saber sobre o Uruguai, quando eles dizem que a refeição serve um, não leve muito a sério...geralmente o prato é suficiente para alimentar uma família inteira.
Voltamos ao hotel e era hora de descansar, tínhamos muitos planos para o feriado, no dia seguinte!
 
Terminei de comer e o prato parecia cheio.

 
 



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Um dia em Vitória, ES. Para fechar o passeio de trem com chave de ouro

O dia estava lindo, e o sol escaldante!
Antes de sair do quarto me besuntei de protetor, não queria comprometer meu bronzeado alpino.
A vista da janela do meu quarto realmente era inspiradora! Se não fosse o fato de ter que usar aquela cama dura e olhar aquelas paredes mofadas, eu diria que o hotel era realmente bom.
 
 
Fiquei feliz ao fazer o check-out!
Era nossa primeira vez em Vitória, tudo seria novidade.
Começamos nosso passeio pelo ponto mais distante, dirigimos 58 quilômetros até chegar em Guarapari. A estrada é boa, e as pontes no trajeto são um show a parte.
 






 
Comemos um peixe fabuloso, e para variar ( me perdoem... nessa época eu nem pensava em fazer um blog!) eu não sei o nome do restaurante e nem a localização, só sei que a comida era fantástica, muita fartura e sabor por um preço razoável.
 


 
Um ponto turístico imperdível é sem dúvidas o Convento da Penha. A vista é incrível! Prepare as pernas e suba até o topo do convento. Leve água, você vai precisar! O Convento fica aberto somente até as 16:45, então não adianta querer aproveitar a vista para curtir o pôr do sol.
 










 
Passamos pela Ilha do Boi, um bairro nobre com casas lindíssimas! A pesar de lindo, achei o lugar meio intimidador e nem descemos do carro.
Nosso voo estava previsto para o final da tarde e não podíamos nos esquecer que o fator trânsito é uma realidade em qualquer capital, portanto não demos bobeira e nos programamos para irmos sempre na direção do aeroporto, aproveitando ao máximo cada cantinho, cada paisagem do trajeto.
 








 
Realmente Vitória me surpreendeu... Estamos tão acostumados a ouvir sempre sobre os mesmos roteiros, que muitas vezes perdemos a chance de conhecermos lugares lindíssimos!
Certamente voltarei para conhecer com calma e me hospedar num hotel de verdade!
Sem contar que a Fábrica da Garoto ainda é um lugar que quero visitar.
 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Trem da Vale. Treze horas observando a natureza pela janela.

Iniciando a viagem

Como já disse na última postagem, o trem saiu exatamente às 7:30 da Estação Ferroviária de Belo Horizonte com destino a Estação Pedro Nolasco, em Cariacica, Espirito Santo.
Como se trata de um trem de passageiros, você encontra de tudo um pouco: desde turistas eufóricos tentando fotografar cada morro que aparece na janela até pessoas viajando a trabalho, com seus notebooks ligados e focados no trabalho. Tem também a turma que dorme o caminho todo, acredito que sejam pessoas que só querem chegar ao seu destino, e optaram pelo trem ao invés do ônibus ou avião.
Se você for fazer essa viagem, uma dica preciosa: prepare-se para o frio. O ar condicionado dentro do vagão é congelante! Sugiro que você vá o mais confortável possível, leve meias, blusa e ser for friorento como eu, leve uma mantinha na mala.
A viagem é bem dinâmica, você pode caminhar entre os vagões, a equipe que trabalha no trem é muito prestativa e simpática.
Oficinas de artesanato estão à disposição em um dos vagões restaurante. Fiz um porta-retratos bem bacana! Esse é um momento legal da viagem, pois durante a oficina você acaba interagindo com os outros passageiros e ouve histórias de vida bem curiosas.



 
Não aconselho esta viagem para crianças, por ser uma viagem bem longa, elas acabam ficando angustiadas. Se quiser levar seus pequenos, faça uma viagem mais curta, eles aproveitarão melhor.
Um ponto negativo é a falta de wi-fi, você só consegue um pouco de sinal quando se aproxima de alguma cidade. A maior parte do trajeto é feita sem sinal tanto de telefone quanto de Internet, então avise logo seus parentes para não ficarem aflitos com a falta de notícias. Fui informada que o wi-fi estava em fase de implantação, mas não sei se o chefe da cabine estava apenas tentando me consolar, ou se é verdade mesmo. Tomadas não faltam, em todas as poltronas você vai encontrar uma, portanto, você pode até não ter sinal, mas falta de bateria não será problema.
Para fotografar, o melhor lado é o lado esquerdo do trem, as paisagens são mais variadas. Do lado direito, você ficará muito tempo vendo apenas encostas com mata fechada. Não vi um único animalzinho durante o trajeto...Então se estiver na esperança de ver uma onça, esqueça!
 


 




 
Como se trata de uma área de mineração, de extração de minério de ferro, você vai se deparar com paisagens bem interessantes e algumas vezes vai cruzar com trens de carga pelo caminho. O minério de ferro cai nos trilhos, se estiver sol, preste atenção nos trilhos, eles brilham como se tivessem jogado purpurina pelo caminho. 
 




 
Em Aymorés, você vai ver uma enorme pedra do lado esquerdo.Uma moradora da região, que viajava na minha frente me contou que  de acordo com a lenda, Lorena, uma linda índia da tribo dos botocudos, que habitavam a região, se apaixonou perdidamente por um homem branco, mas foi impedida pelo seu pai, que era o cacique da tribo. Desiludida, ela subiu no ponto mais alto da cidade e se atirou de lá. Hoje o local é conhecido como Pedra Lorena.
 

 
Durante um bom tempo da viagem você seguirá o curso do Rio Doce. Infelizmente ele foi gravemente afetado pelo desastre ambiental de Mariana. Fiz essa viagem em setembro e o rio era lindo. Depois do desastre, não sei dizer como ele está.  
Uma coisa que você não pode perder é o pôr do sol! É lindo!
Fiquei um pouco frustrada pois quando o trem entrou no Espírito Santo já havia anoitecido e aí você não vê mais nada.
Esse é o momento ideal para pegar sua mantinha na mala e tirar um bom cochilo, ou ler um livro...porque a paisagem será inexistente por aproximadamente duas horas de viagem.
Por volta de 20:30 o trem chega na Estação de Pedro Nolasco, que fica a uma distância de aproximadamente dez quilômetros de Vitória.
Cariacica não tem boas opções de hospedagem, te aconselho a procurar um hotel em Vitória ou Vila Velha.
Pagamos cinquenta reais para irmos até o aeroporto de Vitória de táxi, mas se você tiver animado, pode pegar um ônibus coletivo no terminal que fica bem ao lado da estação, deve ser bem mais barato. Fomos direto ao aeroporto, pois queríamos alugar um carro para no dia seguinte sairmos para conhecer Vitória. Pagamos R$ 120,00 pela diária. Valeu a pena, pois pudemos aproveitar o dia para passear pela região.
Tínhamos reserva no Hotel Aruan, escolhi o hotel pela localização, que era fantástica. Me apaixonei pela vista da janela, de frente para o mar, mas confesso que tive vontade de fugir quando vi o interior do hotel. Nem vou colocar o link do hotel, pois não vale a pena. Devem ter hotéis bem melhores na região.
O hotel era velho e meio encardido, como era apenas uma noite, dava para aguentar, mas eu não recomendo.
Deixamos a bagagem no hotel e fomos caminhar na praia, comemos em um dos vários restaurantes que tem por ali.
Estávamos cansados, digamos que não somos assim tão jovens, embora meu pai ainda tivesse pique para ir para uma balada ( mas eu não deixei, ok?). Do restaurante fomos direto para o descanso dos justos ( ainda acho que eu merecia uma cama mais confortável do que a oferecida pelo hotel), eu estava tão cansada que nem fiquei olhando o mofo do teto por muito tempo.
 


 
 
 

O hotel era ruim, mas a vista era de tirar o fôlego!